Brumadinho: 2 anos depois

No dia 25 de janeiro de 2019, a barragem de rejeitos conhecida como barragem da Mina Córrego do Feijão. O rompimento da estrutura com 11.7 milhões de metros cúbicos de rejeito causou a morte de 270 pessoas, tornando-se um dos maiores desastres ambientais da história da mineração do país, ficando atrás apenas do rompimento da barragem em Mariana. Logo que ocorreu a tragédia, a lama produzida atingiu partes de comunidades vizinhas soterrando e destruindo casas, escolas e até locomotivas de uma ferrovia da região. Foi necessário realizar a evacuação de diversas áreas, como a da aldeia Pataxó Hã-hã-hãe e do Instituto Inhotim (o maior museu a céu aberto do mundo), por questões de segurança devido ao comprometimento de alguma estrutura ou inviabilidade de residência. Todo esse rejeito liberado poderia incorporar ao solo e aos fundos dos rios, por sedimentação, impactando todo o ecossistema, desde corpos hídricos até a fauna e flora local, e o abastecimento público de água já que reservatórios também ficariam contaminados. O perigo era iminente. Houve mobilização a nível internacional onde governos de outros países enviaram missões para ajudar na localização dos desaparecidos, além de doações de diversos itens como água, alimentos e roupas. Nacionalmente, foram criadas forças-tarefas para tomar as medidas de emergência de modo a resgatar sobreviventes, prestar os primeiros atendimentos e coordenar ações que iam desde sepultamento de corpos a transporte e envio de suprimentos. Um ano depois a lama escura dos rejeitos de minério de ferro que eram armazenados ali pela mineradora Vale continua espalhada pela maior parte dos quase 10 quilômetros que separam o local do Rio Paraopeba, um dos principais afluentes do rio São Francisco. Moradores reclamam de pouca assistência e problemas psicológicos. Ninguém havia sido responsabilizado. Hoje fazem exatamente dois anos e quatro meses e menos de 40% das famílias atingidas nestes locais têm regularidade no abastecimento de água. De acordo com um relatório feito pela Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), contratada como assessoria técnica independente, por determinação da Justiça, 62,51% dos atingidos não exercem nenhum tipo de atividade remunerada em comunidades vizinhas como Betim, Juatuba, Mário Campos e São Joaquim de Bicas. A população ainda tenta se reerguer. E o que nós poderíamos fazer como futuros profissionais na área da engenharia para que desastres dessa magnitude não voltem a se repetir? Em primeiro lugar, planejamento: minérios são um recurso finito que deveriam ser explorados de forma estratégica com regime de licenciamento e fiscalização rígidos, priorizando reciclagem e reaproveitamento. Em segundo lugar: segurança de processos.

A barragem 1 do Córrego do Feijão foi construída em 1976 e foi ampliada em várias etapas e por diversos projetistas e empreiteiros. Houve, portanto, sucessivos alteamentos para montante, isto é, várias construções de degraus com os próprios rejeitos. No cadastro nacional da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a barragem era avaliada como uma estrutura de pequeno porte com baixo risco, e tinha a classificação de alto dano potencial, a maior classe da legislação, ou seja, de grande potencial poluidor, com dano potencial associado alto, que traz perdas de vidas humanas e impactos econômicos, sociais e ambientais.


Como agravante, a barragem não possuía contrato de seguro, pois estava inativa.


Por lei, é obrigatória a instalação de sistemas de alerta sonoro em áreas que podem ser atingidas pelo rompimento de barragens e há tecnologia disponível para que sirenes de emergência sejam acionadas em qualquer circunstância. Isso vai de encontro com o Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) que a empresa deve possuir e pôr em prática. Segundo especialistas, um sistema de sirenes bem projetado não deve ser acionado apenas no momento do rompimento de uma barragem, mas sim detectando e alertando anormalidades precedentes. E tudo isso é só a pontinha do iceberg! Para concluir deixamos aqui três dicas para que possamos desenvolver uma consciência ambiental e possamos nos tornar profissionais mais completos: 1) Aprender sobre reutilização, redução e reciclagem

2) Entender sobre os impactos que nossas ações causam nas futuras gerações

3) Compreender que tudo no planeta está interligado: das florestas que controlam a umidade e qualidade do ar até o lixo jogado na rua


Até o próximo post!



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